TIREOTOXICOSE: DESCUBRA COMO DIAGNOSTICAR E TRATAR

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A doença tireoidiana na gravidez é uma entidade clínica comum. Estima-se que 10 a 20% das mulheres grávidas apresentam anticorpos positivos, 2 a 3% hipotireoidismo não diagnosticado e 0,3 a 0,5%, hipertireoidismo. A doença auto-imune é a mais prevalente, e esta associada ao aumento da incidência de abortamento, parto pré-termo e tireoidite pós-parto.

Existem varias causas que podem desenvolver o hipertireoidismo na gravidez, como o adenoma tóxico, o bócio multinodular tóxico, ou a chamada tireoidite subaguda. Também pode ocorrer a tireotoxicose gestacional transitória.

Essas causas de hipertireoidismo afetam de 0.4 a 1% das mulheres grávidas, sendo a tireotoxicose gestacional transitória a mais frequente, afetando de 2 a 4% das gestações. O TSH pode chegar a ficar suprimido em até 15% das gestantes. É uma condição que ocorre especialmente nas mulheres com hiperemese (vômitos) gravídica, mas também pode ocorrer em uma mulher assintomática. Este desenvolvimento de hipertireoidismo ocorre por aumento de gonadotrofina coriônica humana (hCG).

A hiperemese gravídica tem sido associada a valores alterados dos hormônios tireóideos, embora a maioria dos casos não demonstre sintomas de hipertireoidismo, em um pequeno número de casos pode existir a doença clinicamente detectável, e o tratamento da tireotoxicose dessas pacientes pode ser necessário para melhora do quadro de hiperemese gravídica; o tratamento eventual deverá ser monitorizado clínica e laboratorialmente.

O tireotoxicose é o excesso de hormônios tireoideos no sangue. A tireoide é uma glândula localizada na região do pescoço que controla o metabolismo do corpo através dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (troxina). “O excesso ou a falta deles causam sérios problemas que podem interferir no funcionamento dos rins, metabolismo, funcionamento cardíaco, intestino, temperatura corporal, memória, alterações psíquicas, emocionais, e principalmente, controle do peso”, explica Carolina Mantelli Borges, Endocrinologista da Clínica de Especialidades Integrada.

De acordo com o Ministério da Saúde, 10% das mulheres acima de 40 anos e 20% acima de 60, são as que mais desenvolvem problemas dessa natureza.

A tireotoxicose é causada pelo excesso de hormônios tireoidianos que podem ser ingeridos ou provocados pelo hipertireoidismo que é o hiperfuncionamento da tireoide. Nem sempre os pacientes com tireotoxicose apresentam hipertireoidismo. Nos casos de hipertireoidismo materno não tratado, ocorre um aumento do risco de pré-eclâmpsia e insuficiência cardíaca congestiva. Daí e enorme importância de manter um acompanhamento com seu médico endocrinologista.

Os principais sintomas para identificar a tireotoxicose são:

  • Nervosismo, irritabilidade; queda do rendimento profissional;
  • Salto da órbita ocular; olhar fixo;
  • Suor excessivo; pele úmida;
  • Tremores;
  • Fadiga;
  • Sentir muito calor;
  • Perda de peso;
  • Aumento da pressão arterial; taquicardia;
  • Fraqueza muscular;
  • Insônia;
  • Unhas fracas;
  • Aumento de apetite;
  • Aumento do tamanho do baço;
  • Desconforto ocular;
  • Desconforto ao defecar.

O tratamento e o acompanhamento de hipertireoidismo na gravidez devem ser feito por um endocrinologista e um ginecologista-obstetra com experiência no tratamento do hipertireoidismo. Controla-se o hipertireoidismo, se necessário com substâncias que são bastante seguras na gravidez.

O tratamento pode ser medicamentoso (mais frequente) e cirúrgico (menos frequente); já o tratamento radioiodoterápico (iodo radiativo) nunca é indicado na gravidez e amamentação.

Finalmente, devemos mencionar a crise tireotóxica caracterizada por um estado hipermetabólico, febre e alteração do nível mental. É um quadro clínico com risco de vida e pode ser observado principalmente nos casos de hipertireoidismo não tratado ou não detectado durante a gestação e seu aparecimento pode ser desencadeado durante o trabalho de parto ou cesárea, sendo desencadeada por uma infecção pré ou pós-parto ou por doença trofoblástica gestacional. Tal condição já deverá ser tratada em Unidade de Terapia Intensiva.

Todos os casos de tireotoxicose auto imune, suspeitos ou diagnosticados durante a gravidez, requerem um controle rígido dos títulos de auto anticorpos da tireoide, assim como da função tireóidea durante o primeiro ano após o parto, devido ao risco significativo da tireoidite pós parto e da recidiva ou exacerbação da Doença de Graves.

Podemos observar a complexidade do assunto e a imensa importância do acompanhamento médico para o diagnostico e tratamento, que se feitos precocemente, possuem um prognóstico bastante favorável tanto para a gravida, quando para o feto.

Fonte – Carolina Mantelli Borges, Endocrinologista da Clínica de Especialidades Integrada.

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